A parte que todo mundo pergunta — "como faço para abrir minha empresa?" — é a que menos importa. O registro em si é rápido e, dependendo do porte, pode ser feito sozinho. O que realmente define se a empresa vai começar bem são cinco decisões tomadas antes de qualquer formulário.
Este texto não é um manual de preenchimento — é o roteiro de decisão que deveria vir antes dele.
1. Sua atividade é permitida no MEI, ou já exige outro enquadramento?
Profissões regulamentadas — médico, advogado, engenheiro, contador, entre outras — nunca entram no MEI, independentemente do faturamento. Se a sua atividade está fora da lista permitida, essa decisão já está tomada antes de qualquer outra: o caminho é ME. Detalhamos os limites de cada porte em MEI, ME, EPP ou S/A.
2. Qual sua projeção de faturamento para os próximos 12 meses?
É essa projeção — não o faturamento do primeiro mês — que define o porte inicial mais adequado. Subestimar para "começar no MEI" costuma significar migração forçada meses depois, com o risco de desenquadramento retroativo se o teto for ultrapassado sem planejamento. Veja como essa conta funciona em como sair do MEI.
3. Você vai ter sócio, ou vai atuar sozinho?
Sozinho, o caminho padrão hoje é a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU) — que separa o patrimônio pessoal do da empresa sem o custo adicional que isso exigia no passado. Com sócios, é a Sociedade Limitada tradicional. O Empresário Individual, que não separa os patrimônios, perdeu espaço justamente por esse risco.
4. Qual regime tributário tende a sair mais barato?
Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real não são escolhas equivalentes — a diferença de carga tributária entre eles, para o mesmo faturamento, pode ser grande. Para empresas de serviço que entram no Simples, existe ainda o Fator R: se a folha de pagamento, incluindo o pró-labore, representar 28% ou mais da receita, a tributação cai para o Anexo III, mais barato; abaixo disso, vai para o Anexo V.
O regime tributário certo depende dos números reais da atividade — margem, folha esperada, natureza da receita. Escolher por hábito ou pelo que "todo mundo faz" é a decisão mais cara desta lista, porque o erro se repete todos os meses até a próxima janela de troca.
5. Você vai contratar funcionário desde o início, ou só depois?
Se a resposta é sim, isso já entra na conta do Fator R e no cálculo do custo real da operação — FGTS, 13º, férias e o restante dos encargos. Detalhamos o que muda com a primeira contratação em primeiro funcionário: o que muda na contabilidade.
E depois de decidir, o que vem
Com as cinco decisões tomadas, o registro em si — Junta Comercial, CNPJ, inscrições municipal e estadual quando aplicável, e alvará quando a atividade exigir — costuma ser resolvido em dias. É o passo mecânico, não o estratégico.
Perguntas frequentes
Preciso decidir tudo isso antes de ir à Junta Comercial?
Idealmente sim. As cinco decisões definem o que será registrado. Decidir depois significa alterar um registro já feito, o que costuma dar mais trabalho do que decidir antes.
Posso mudar de decisão depois de aberto?
Várias podem ser revistas — CNAE, tipo societário, regime tributário. Mas a mudança de regime tributário só vale a partir do ano seguinte na maioria dos casos, e o tempo entre a decisão errada e a correção tem custo real.
Quanto tempo leva para abrir depois de decidido?
O registro em si costuma levar de poucos dias a duas semanas, dependendo do município e da necessidade de alvará ou licença específica.
Vale abrir rápido e ajustar depois?
Raramente. Regime tributário mal escolhido custa imposto pago a mais todos os meses até a próxima janela de troca — é mais barato decidir bem do que corrigir depois.
Quer decidir essas cinco coisas com quem faz essa conta todos os dias?
Avaliamos sua atividade, faturamento projetado e planos de sociedade, e indicamos o porte, o tipo societário e o regime tributário que saem mais baratos no seu caso.
Falar com um especialista Conhecer os planos de contabilidadeConteúdo informativo, sem caráter de consultoria tributária ou societária individualizada. Limites de porte, regras do Fator R e enquadramento tributário são definidos em lei e podem ser alterados. Confirme o que se aplica ao seu caso com seu contador antes de decidir.
