HomeBlog › Reforma tributária

Reforma tributária: como preparar a empresa durante a transição

A reforma tributária ainda está em fases de regulamentação, e os números finais mudam com frequência. Em vez de tentar prever cada etapa, veja o que já dá para ajustar na sua empresa agora — e que continua valendo em qualquer fase da transição.

A reforma tributária não vai parar de mudar tão cedo — é uma transição de vários anos, regulamentada em etapas, com números que ainda estão sendo definidos. Por isso, este texto não promete uma lista de alíquotas ou prazos: eles vão mudar antes da próxima atualização. O que dá para fazer agora é entender a estrutura do que está mudando e ajustar o que já é possível ajustar, independentemente de qual fase estiver em vigor quando você ler isso.

Isso vale principalmente para profissionais liberais que atuam como PJ e para pequenas e médias empresas nos regimes Simples, Presumido ou Real — é esse público que sente a mudança direto na precificação, no contrato e na escolha de regime.

O que já é certo — e o que ainda não é

O que já está consolidado, como estrutura, é isto: a reforma substitui um grupo de tributos sobre consumo — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por um modelo de IVA dual, dividido em dois tributos novos, um federal (CBS) e um compartilhado entre estados e municípios (IBS). Essa substituição acontece de forma gradual, ao longo de vários anos, não de uma vez.

O que ainda não está consolidado — e por isso não entra neste artigo como fato — são os números: alíquotas de referência, faixas de isenção, prazos exatos de cada fase e regras específicas de transição por setor. Esses pontos seguem em regulamentação e mudam conforme o processo avança. Qualquer conteúdo que cravar esses números como definitivos hoje corre o risco de estar desatualizado amanhã — o que é exatamente o problema que este texto tenta evitar.

O que muda, estruturalmente Tributos atuais são substituídos aos poucos por dois tributos novos PIS / Cofins tributos federais IPI tributo federal ICMS tributo estadual ISS tributo municipal TRANSIÇÃO GRADUAL, EM FASES Duração e regras de cada etapa seguem em regulamentação — não há uma data única de virada nem números finais fechados CBS tributo federal — substitui PIS, Cofins e IPI IBS estadual e municipal — substitui ICMS e ISS Estrutura simplificada, apenas para ilustrar quais tributos são substituídos por quais — sem cronograma de fases.
O ponto permanente deste artigo

Não é a data em que cada fase entra em vigor — isso muda. É que, enquanto a transição durar, sua empresa vai conviver com regras novas sendo reguladas por cima de regras antigas ainda vigentes. O que protege o caixa não é acertar o número de hoje, é ter um processo de acompanhamento que se adapta a cada atualização.

Por que o regime tributário continua sendo a decisão mais importante

A reforma redesenha a base de cálculo de vários tributos, mas não elimina a escolha entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real — ela só muda o que está por trás de cada conta. Detalhamos o critério prático de escolha, independente da reforma, em Simples, Presumido ou Real: como escolher pelo faturamento.

O que muda com a reforma é que essa comparação deixa de ser algo que se faz uma vez, ao abrir a empresa ou ao mudar de faixa de faturamento, e passa a exigir revisão a cada fase regulamentada — porque a forma como Simples, Presumido e Real vão interagir com os novos tributos ainda está sendo definida, e pode afetar cada regime de um jeito diferente.

Documentação e cadastro: o que toda empresa vai precisar ajustar

Independentemente de qual fase da transição estiver em vigor, alguns pontos cadastrais tendem a pesar mais durante um período de mudança de sistema tributário do que durante um período de lei estável:

Precificação e contratos: por que prever revisão periódica

Contratos de prestação de serviço com prazo longo — comuns entre profissionais liberais PJ e empresas de serviço recorrente — costumam fixar o preço sem prever mudança de carga tributária. Durante uma transição de vários anos, isso é um risco unilateral: se a carga tributária efetiva subir numa fase futura, quem fixou o preço sem cláusula de revisão absorve a diferença sozinho.

Não é preciso saber o número exato da próxima fase para se proteger disso — basta prever, em contrato, que o preço pode ser revisado em caso de alteração relevante na carga tributária incidente sobre o serviço. É uma cláusula que protege independentemente de qual fase da reforma estiver em vigor quando a revisão for necessária.

Por que acompanhamento contábil recorrente pesa mais agora

Em período de lei tributária estável, dá para operar com contato pontual com o contador — pedir a guia, entregar a obrigação, seguir em frente. Numa transição de vários anos, com regras sendo publicadas em etapas, esse modelo de contato pontual passa a custar caro: a empresa só descobre que uma regra mudou depois que ela já mudou, e não antes.

É esse tipo de situação que costuma levar empresas a repensar o formato do acompanhamento contábil, não necessariamente por insatisfação com o contador atual, mas porque o volume de mudança aumentou. Se esse for o seu caso, o processo de avaliar e, se fizer sentido, trocar de contabilidade é mais simples do que parece — descrevemos o passo a passo completo em passo a passo para trocar de contabilidade.

Checklist permanente: o que fazer agora, sem esperar a próxima fase

  1. Confirme o enquadramento e o regime atual com o contador a cada nova fase regulamentada — não é uma checagem única.
  2. Mantenha CNAE e NCM corretos, revisando sempre que a atividade real da empresa mudar.
  3. Revise contratos de prestação de serviço prevendo cláusula de reajuste por mudança de carga tributária.
  4. Mantenha certificado digital e acessos aos portais fiscais em dia, para não ficar de fora de uma atualização técnica.
  5. Não tome decisão de precificação ou de mudança de regime com base em número que ainda não foi confirmado oficialmente — inclusive os deste artigo, que evitou citar números por esse motivo.

Esses cinco pontos continuam valendo hoje, na próxima fase regulamentada e na fase depois dela. É esse o critério que separa um guia permanente de uma notícia: o primeiro ainda faz sentido depois que a manchete de hoje já não existe mais.

Perguntas frequentes

A reforma tributária já está em vigor?

Está em implementação, mas de forma gradual, e o calendário completo de transição segue sendo regulamentado em etapas. Antes de agir com base em uma data específica, confirme com seu contador o que já vale para a sua atividade e o seu regime.

A reforma tributária acaba com o Simples Nacional?

Não é isso que está sendo discutido publicamente — a expectativa é que o Simples continue existindo como opção simplificada dentro do novo sistema. Mas os detalhes de como ele vai interagir com os novos tributos ainda estão sendo regulamentados, então não tratamos isso como informação definitiva. Confirme com seu contador antes de tomar qualquer decisão baseada nesse ponto.

Preciso trocar de regime tributário por causa da reforma?

Não necessariamente, e não dá para responder de forma genérica. A reforma redesenha a base de cálculo de vários tributos, o que pode mudar a conta de Simples, Presumido e Real de formas diferentes para cada empresa. Vale reavaliar o enquadramento com o contador conforme cada fase for regulamentada, não apenas uma vez.

O que muda para quem presta serviço como profissional liberal PJ?

Estruturalmente, o ISS municipal está entre os tributos que serão substituídos pelo novo IVA dual. Como isso afeta a alíquota final e a emissão de nota fiscal em cada fase ainda depende de regulamentação — é um ponto para acompanhar com o contador antes de repassar qualquer mudança para o preço do serviço.

Como me preparo sem saber os números finais da reforma?

Concentre-se no que já dá para fazer agora: manter cadastro, NCM e CNAE corretos, revisar contratos para prever reajuste de carga tributária e manter acompanhamento contábil constante em vez de pontual. São ações que valem em qualquer fase da transição.

Quer revisar seu regime e seus contratos antes da próxima fase?

Avaliamos seu enquadramento atual e apontamos o que já dá para ajustar na sua empresa, sem depender de um número que ainda não foi confirmado.

Falar com um especialista Conhecer os planos de contabilidade

Conteúdo informativo, sem caráter de consultoria tributária individualizada. A reforma tributária altera tributos sobre consumo ao longo de uma transição gradual, definida por emenda constitucional e legislação complementar ainda em regulamentação — com alíquotas, prazos de cada fase e regras específicas sujeitos a alteração. Este artigo evita citar números e datas específicas de fase por não termos, no momento da publicação, fonte atualizada o suficiente para tratá-los como definitivos. Confirme com seu contador o que já se aplica ao seu caso antes de qualquer decisão.

Veja também

Conteúdos relacionados ao que você está vendo